Vocês querem a história completa? Bom, então aí vai ela. Tudo que vocês precisam saber estará nas próximas páginas. De alguma forma, vocês são os sortudos (ou não) de ter isso em mãos. Não sei como diabos conseguiram ou por qual motivo quiseram ler isso, mas essa história não é sobre vocês, e sim sobre mim:
Cassandra Wright, mais conhecida como Cassie para os íntimos, Cacá para minha mãe, Cassilda para os odiadores e Cassizinha para os afetados.
Ah, chega de perder tempo. Vamos ao que interessa.
Por onde começar… acho que pelo começo, não é? Por mais que essa frase seja cômica, é a única maneira mais coerente de vocês entenderem.
Tudo começou com o acidente que sofri que resultou no desaparecimento do meu irmão.
Mas vocês não vão entender nada se eu começar com isso.
Então, acho que o começo é com Melanie.
Bem, todos meus problemas sempre começaram com ela, então isso não é nenhuma novidade.
Não é legal ter uma irmã gêmea.
[…]

PRÉVIA DA OITAVA PARTE
Leia a sétima parte aqui.
Eu flutuava em mundo estranho. Melanie me olhava com um olhar preocupado, junto com seu namorado; imagens do garoto de 12 anos de boné com seus olhos vermelhos me observavam a longe; Peter se distanciava toda vez que tentava alcançá-lo; e eu assistia a possível morte de David milhares de vezes, de maneiras diferentes.
Enquanto parte de mim tinha consciência de que estava sendo carregada por alguém, a outra parte lutava para não ter que se distanciar do corpo do meu irmão. Mas outra parte, ainda zonza e inconsciente por causa da batida, ainda tinha aqueles sonhos, ou alucinações, ou qualquer coisa que fosse.
Gritei para Peter, para Melanie, para o garoto estranho de boné, para o namorado, para qualquer um que estivesse me observando, para que me ajudassem a salvar David. Os gritos do meu irmão preenchiam minha mente, gritos imaginários, com certeza, mas pareciam profundamente reais.
Naquele momento, eu não sabia que meu corpo se contorcia no colo do namorado de Melanie, e minha voz realmente xingava os dois ao meu lado. Mas qualquer movimento que eu fazia liberava ainda mais sangue da minha cabeça, uma poça com gosto metálico que já descia pelo meu rosto.
De tanto me debater e chutar o garoto que me carregava, imaginando ainda estar no meu sonho, eu pude ouvi-lo dizer:
– Que se foda sua irmã, Melanie! Ela não coopera, eu desisto dela! Você não a odiava mesmo? – E senti sendo largada no chão, e, apesar de ouvir imensos protestos da minha irmã, as vozes foram se distanciando e finalmente, fiquei em um silêncio enorme.
Olhei para o lado, tentando reconhecer aonde estava. O mundo alucinante que eu me encontrara foi aos poucos sumindo, junto com estado de quase inconsciência que me poupava da do, e senti uma ardência forte na minha cabeça, que me deixava tonta. Felizmente, eu estava deitada, não de pé, se não provavelmente cairia e bateria a cabeça, piorando ainda mais meu estado.
David estava a alguns metros de mim, ainda sangrando. Eu não podia deixá-lo ali. Meu irmão. Morto, perdido para sempre no meio de uma floresta. Assassinado. Seus pais nem se lembram mais dele. Tentei, em vão, rastejar até ele, mas isso só resultava em mais dores para mim.
Foi então que eu vejo o garoto de 12 anos do boné se aproximar de mim. Seus olhos, percebo agora, não são realmente vermelhos, mas sim são as veias em suas órbitas que estão inchadas e cobrem toda a brancura e pupila do olho. Sinto vontade de gritar, mas não tenho forças.
Tento me arrastar para trás, ou para David, mas ele se aproxima de mim. Seria alguém possivelmente bonitinho, e ficaria realmente no futuro: cabelos castanhos, pele clara, o que provavelmente significaria olhos claros… quase uma miniatura de Peter… estranho.
– A-afast-te-se. – Consigo murmurar, fraca.
Mas ele apenas põem o dedo no lábio, murmurando um sshh, não uma ordem para me silenciar, mas sim algo para me deixar calma. Confiar nele. Ah, claro. Ele aproxima com os dois dedos da sua mão direita em direção aos meus olhos, tocando-os levemente.
Tudo fica escuro novamente.
Gostaram?
Ainda querem continuação?
Saber que fim levou David? O que acontecerá com Cassie? Melanie? Quem é o garoto do boné? O mistério do Peter? Os sonhos que a Cassie tem, e Suzannah sumida?
Comentem, essa é uma prévia da parte 8! *-*
Keep Calm - Web Novela Cassie Wright
Feitos por: http://thesnaresmaker.tumblr.com/
Traduções literais:

SÉTIMA PARTE
Fiquei olhando Peter sem fazer nada, apenas piscando os olhos lentamente, quando soltei uma risada.
– Você só pode estar brincando.
– Isso não é engraçado, Cassie. – Murmurou ele, naquele seu tom típico; o Peter que eu conhecia.
– É sim. Meu, não existe isso de paranormais. Estamos na vida real. Eu não curso Hogwarts e você não é um vampiro, muito menos um anjo, apesar de ser tão lindo que poderia ser.
… Não acredito que falei isso em voz alta.
Ele franziu o cenho por um momento, então balançou a cabeça e voltou a falar:
– Não é nada disso, Cassie. Nunca ouviu falar de mutações?
Parei um pouco de andar ao redor, encostando-me na árvore.
– Tipo o Wolverine?
– Sim e não. – Ele respondeu. – E a série não se chama Wolverine, e sim X-men. – Ele me corrigiu, e ele parecia engraçadamente ofendido como o que eu havia falado.
– Então quer dizer que vou ficar azul? – Perguntei, lembrando-me de uma das personagens da série. – Isso está mais para Avatar do que qualquer coisa…
Consegui fazê-lo sorrir.
– Não, você não vai ficar azul nem criar tempestades – Ele comentou, fazendo referência a outra personagem – apesar de que seria realmente interessante poder atirar raios em certas pessoas.
– Para isso é só ser filho de Zeus. – Sorri.
Ele ficou um tempo me encarando após esse comentário, como se estivesse me avaliando. Por fim, soltou um sorriso e passou a mão pelos cabelos bagunçados.
– Você gosta mesmo de ler, hein?
– Aham. – Concordei. – Por esse motivo estou ansiosa para ler o seu livro.
Ele arqueou uma sobrancelha, surpreso. Tenho raiva de quem consegue fazer isso. Quer dizer, arquear UMA sobrancelha. Se eu tento fazer isso, levanta as duas, e eu fico parecendo uma versão afeminada do Michael Jackson.
– Mesmo que meu livro tenha cenas impróprias para a sua idade, Wright? – Ele falou com uma voz estranha… parecia… sedutora?
– Peter, eu sou apenas dois anos mais nova que você.
– Não quer dizer que está pronta para ler isso. – Ele se justificou.
Safado…
– Anh, deixa eu ver, porque tem alguma Cassie na história também?
Era uma brincadeira, mas ele ficou repentinamente quieto e desviou o olhar do meu.
– Enfim, voltando a o que estávamos falando, essas “mutações” é só um jeito para nomear pessoas que nascem usando uma parte maior do cérebro, QIs maiores. – Ele continuou
– Anh? Tá falando daquela coisa que usamos apenas 10% do cérebro?
– Ninguém usa o potencial total do cérebro, Cassie, mas já foi estudado que não usamos apenas isso. Não se sabe realmente, mas não o usamos totalmente. Ninguém nunca descobriu para que mais podemos usar. São infinitas as possibilidades.
– Espera… Tipo aqueles caras que conseguem entortar garfos com a mente?
Ele riu de mim, de uma maneira como me achasse bem infantil no assunto. Fechei a cara com isso.
– Você viu isso no Matrix, não é? – Ele continuou rindo.
Demorei para admitir, mas falei baixo:
– Sim.
– Ah, Cassie, não existe isso. É um truque com o talher. Parece que o material que fazem a colher é um metal que com o calor se dobra… Nada demais. Estamos falando de coisas diferentes. É difícil o plano mental se misturar com o material.
– O quê?!
– Esquece. Complicado demais, você vai acabar entendendo. O que estou falando é que conseguimos bloquear a mente, resgatar memórias, alterar sonhos, tudo isso que falam! E até mudar o humor das pessoas. – Ele sorriu.
– … Então está dizendo que você que fez isso hoje?
Ele ficou mais sério.
– Não. Mas você tem muito o que aprender ainda. Vai gostar.
Impressionante como ele mudou o assunto da minha pergunta bem rapidamente.
– E pensar o que mais eles estão descobrindo… – Ele murmurou.
– Eles? – Questionei.
Mais uma vez, Peter fechou a cara, como se tivesse falado demais. Ótimo.
– Eles quem, Peter? – Repeti, agora realmente séria. – Você disse que tudo isso tinha a ver com o desaparecimento de Susana e David e tudo que aconteceu essa semana, mas não falou de nada até agora.
Bem naquele momento, bateu o sinal da aula. Ele apenas pegou o livro e fechou, guardando-o dentro da mochila.
– Até depois, Cassie. Leia o livro, ok?
– Ah, não, você vai voltar aqui e me responder. – Ordenei, mas ele já estava andando.
Tentei ir atrás dele, mas uma onda de pessoas saindo do campus e voltando a escola estava na minha frente, e eu acabei perdendo-o de vista.
***
Fui chutando algumas pedras com raiva enquanto caminhava de volta pra casa. Merda, Peter nunca ajudava em nada. Sempre aquele jeito anti-social dele.
Bufei e tentei distrair os pensamentos. Tentei pensar um pouco em meu irmão. Eu ainda lembrava do último dia que o vira…
— Melanie, entenda que eu não vou nesse jantar idiota, pra mim que se foda se isso vai aumentar o dinheiro de nossos pais. Nós já temos isso de sobra, e nem ajudamos que realmente precisa, porra. — Eu havia murmurado, já realmente indignada com o que ela tanto insistia naquela noite adentro, enquanto eu jogava as roupas do meu quarto que estavam pelo caminho.
Tá, eu bem que precisava arrumar isso aqui, mas eu não tenho tido muito tempo ultimamente. Vi que minha irmã ficou quieta por um tempo. Acho que ela realmente havia ficado surpresa com o que eu disse. Ou, per Deus, ela finalmente havia desistido.
Virei para agradecê-la, mesmo ironicamente, quando a vi segurando um palito de fósforo aceso e, logo acima, meus patins preferidos.
— Ah, não, você não vai fazer isso! — Berrei, fazendo meu gato se assustar e provavelmente indo parar em baixo da cama (e não sair de lá por uns dois dias, aquele medroso), e vi que Mel sorriu quando conseguiu me atingir.
— Então se arrume para o jantar. Sinceramente, troque essas roupas ridículas. — Ela comentou, assobiando enquanto levantava o palito em direção ao patins.
Não sei no que me deu. Eu simplesmente dei um salto e joguei-a longe. Ora, aquele tinha sido presente da minha mãe. Da minha verdadeira mãe.
Consegui pegar os patins e saltei para fora da minha janela. Ouvi Melanie gritando alguns xingamentos que certamente ela teria me repreendido se eu os soltasse, mas eu soube de qualquer forma que eu estaria ferrada.
Não importava. Eu tinha conseguido sair para a competição. Dei um suspiro de agradecimento, enquanto corria para aonde seria realizado. Mas mesmo se corresse, não daria tempo de chegar no horário. Eles eram muito rígidos com essa coisa toda de pontualidade. É claro, era um concurso estadual.
Soltei um murmúrio indignado. Tudo isso para nada. Foi então que ouvi a voz que mudou a minha noite.
— Quer uma carona, Cass? — Perguntou David, sorrindo ao banco do motorista. Acho que meu sorriso foi ainda maior enquanto entrava no carro e via-o acelerar.
— Nunca vou conseguir de agradecer por isso.— Murmurei, na mais pura sinceridade.
— Fale para sua amiga Beatriz, irmã de Susana, aceitar meu convite para sair. Não sei, ela parece ter um ódio pessoal por mim. Mas sei que você consegue convencê-la. — Ele pediu, e eu ri da cara dele.
— Não sei como ela não aceita sair com alguém como você. Mas pode deixar, David. Pode deixar. — Respondi.
Naquela noite eu não sabia que seria a última vez que riria com David.
Foi quando eu vi o farol do caminhão a nossa frente quase me cegando, e o motorista businando loucamente.
Só lembro do barulho da batida, e acordar no outro dia no Hospital. Ninguém sabia de David. Ele não estava em lugar algum, e todos diziam que eu que estava dirigindo aquele carro.
Olhei para frente. Enquanto andava, não percebera para aonde ira. Havia ido direto para o bosque que rondeia o bairro. Ótimo, e já estava escurecendo.
Foi quando eu tropecei em uma pedra, caindo com os joelhos e as mãos nos pedregulhos da trilha, e arranhando essas regiões.
–Droga! – Reclamei, e virei para chutar longe aquela pedra desgraçada.
A questão era que aquilo não era uma pedra. Era um corpo. E muito familiar.
Abri a boca para gritar quando o reconheci, mas não saiu nada de dentro. Fiquei pasma, arregalei os olhos, e senti a bile subir pela garganta.
Era o corpo de David, completamente ensangüentado. Havia um corte em sua barriga indo de um lado ao outro, e um outro corte que vinha de sua boca até o fim da barriga, formando uma cruz invertida.
Lembro de minhas pernas fraquejarem e eu cair com tudo no chão, na frente dele. Não me importava que estivesse coberto de sangue e a carne começando a apodrecer, eu o trouxe para meu peito e comecei a chorar.
Olhei para frente. Depois, cheguei a pensar que poderia ter sido meus olhos completamente molhados e a dor de cabeça, mas pude jurar ter visto um menino de uns 12 anos, usando um boné, e olhando diretamente para mim. Seus olhos eram vermelhos, os mesmo que vira aquela noite quando eu conversara com David pelo telefone.
Pisquei os olhos e ele havia desaparecido, mas não me importei com isso. Apenas voltei a olhar meu irmão morto. Não dava para raciocinar isso ainda.
Não sei quanto tempo se passou até eu ouvir passos e algumas risadinhas. Levantei os olhos novamente para ver Melanie e um garoto andando sorrateiros pelo bosque. O garoto começou a beijar o pescoço dela, e ela cedia claramente a ele.
Cadê todo aquele discurso dela agora, de ser certa e manter o nome da família?
Coloquei o corpo de David do lado e fui na direção dela. Meu corpo estava inteiramente coberto de sangue, meu cabelo despenteado e meus olhos inchados. Por isso, não culpo Melanie e o garoto por terem gritado histericamente ao me verem.
– Esse era o David, Melanie. Você não se lembra dele? – Murmurei. Acho que estava louca. Minha voz estava completamente diferente, e eu ia me aproximando dela, com uma expressão maníaca.
Ela pareceu franzir o cenho ao ver o corpo dele, mas ainda estava mais assustada do que qualquer coisa.
– É, ele está morto agora. Mas não se lembra de seu irmão, Melanie? David Wright. Cabelos loiros, pele bronzeada. Totalmente popular em qualquer lugar que fosse. Você tinha inveja por ele ficar mais tempo comigo do que qualquer coisa.
Todo esse tempo, eu olhava fixamente nos olhos da minha irmã. Ela parecia estar com as emoções divididas: medo por mim e espanto pelo corpo a alguns metros. Mas tinha algo ainda mais estranho… quando ela passou seu olho para o corpo de David, uma expressão de clareza pareceu se apoderar dela. Ela abriu a boca levemente, como se fosse dizer algo. Mas então sua expressão mudou para algo parecido com dor.
Não me importei, continuei falando. Segurei o rosto dela para que ele olhasse nos meus olhos.
– Depois disso, passou a me odiar cada vez mais. Não admite que eu tenha amigos. Você tramou tudo para Peter se afastar de mim, e quase conseguiu! – Falei, dessa vez quase gritando de raiva. – E com Susana, era quase a mesma coisa!
Então ela começou a gritar de dor, pondo as mãos na cabeça.
– Por favor, pare, Cassie, pare!
Naquele tempo inteiro, eu havia me esquecido do garoto. Ele era apenas um detalhe assustado a minha direita. Mas ele havia se afastado. Para pegar um tronco.
Virei para ele tentando proteger meu rosto, mas não houve tempo. Senti o tronco vindo na minha direção com a paulada dele, e caí com tudo no chão, não sentindo mais nada. No mesmo momento, os gritos de Mel de dor pararam.
Só para voltarem a ser gritos de desespero.
– Meu Deus, Gab, o que você fez?! – Ouvi Mel no meu último minuto de consciência. – Você a matou! – Ela continuou, desesperada, e ouvi seu choro antes de finalmente tudo escurecer.
Antes, é claro, não pude deixar de notar os dois pares de olhos vermelhos me observando ao longe.
Continua.
Atenção, gente, não vou mais publicar a web! Agora vai virar livro!
By: lembre-sedisso

SEXTA PARTE
Tá, ou a escola inteira estava curtindo com a minha cara ou alguma coisa de verdade estava acontecendo. Claro que seria mais provável a segunda opção, apesar da primeira não ser impossível. Qual é, não me chame de burra. Em livros, filmes e coisa e tal, é até fácil se acostumar com situações assim. Mas meu bem, estamos falando de vida real. E estão acontecendo uns desaparecimentos estranhos, onda de mau-humor estranhas e mensagens estranhas em espelhos. Não é simples você se acostumar com tanta mudança em poucos dias. Não sou nenhum Harry Potter ou Percy Jackson.
Se bem que eu adoraria ser a Suzannah Simon, com um namorado que realmente desse certo.
O problema é que, pra piorar, meus problemas na minha linda vida amorosa aumentaram.
Ok, voltamos a cena da irmã de Susana, que ainda desmentia ter uma irmã. Na hora, é claro, eu devia ter feito uma cara realmente ridícula de surpresa.
– Como não? – Exclamei não entendendo nada. Acho que acabei falando um tanto alto, porque metade do corredor parou para nos encarar. – Susana, minha melhor amiga! Ela está doente ou alguma coisa? Porque se for, não acredito que você odeia tanto ela assim para já fingir que ela já está morta. – Fui falando. Esse era um dos meus lindos problemas. Falava demais.
Beatriz apenas franziu o cenho para mim. Tentou ser gentil, mas acho que ela pensou que provavelmente eu estava ficando louca.
– Cassie… que tal você ir na enfermaria? – Ela pôs a mão na minha testa, e fingiu que arregalava os olhos. – Caramba, você está quente. Acho que está te dando pressão baixa. É melhor você ir para lá.
E me deu um sorriso doce, mas eu sabia que ela inventara de eu estar quente. Só queria sair o mais perto de mim.
Bufei, segurando o livro que achara no meu armário, e fui em direção ao pátio do colégio, olhando para os meus All Star. Por causa disso, acabei trombando com uma pessoa.
– Por que não olha para aonde anda? – Exigiu o ser.
Levantamos os olhos ao mesmo tempo, e eu reconheci Peter.
– Ah, é você. – Ele completou, desviando de mim e estava pronto para continuar andando quando eu o parei.
– Não lhe agradeci pelo desenho… Eu adorei. – Murmurei, mostrando a folha amassada.
– Agora você agradece? – Ele perguntou, arqueando uma sobrancelha.
Fiquei em um silêncio, ainda não entendendo bosta alguma do que estava acontecendo. Um grupo de garotas passou olhando Peter, cochichando. Provavelmente ele era o novo assunto no colégio inteiro, até aquele momento.
– Por que você fica me evitando e me dando respostas assim? – Perguntei, sendo direta e fria. Poxa, eu não tava mais agüentando tanto segredo contra mim.
– Porque você quer. – Murmurou ele, e me pareceu que havia um pesar em sua voz.
– Quando eu disse isso?
– Merda, Cassie, não vá se fazer de desentendida. Ontem, na cafeteria.
Arregalei ainda mais os olhos.
– Eu não fui a cafeteria. Fiquei fazendo trabalho com Susana até bem tarde, quando caminhei para casa quase sendo perseguida por alguém.
– Então quem estava comigo? Hã?
Foi naquele momento que eu tive vontade de estrangular minha irmã, e depois cortá-la em diversos pedaços e espalhar pela escola.
– Melanie.
– Quem?
– Minha irmã… gêmea. Eu nunca te falei isso?
Foi a vez dele de passar a mão pelo cabelo, estupefato.
– I-irmã g-gêmea? Desde quando isso? Por Deus, Cassie, como você deixa passar uma informação dessas?
– Ora, você não perguntou. – Murmurei simplesmente, não entendendo como ele realmente havia ficado preocupado agora. Ele sabia alguma coisa que eu não sei? – Melanie me odeia. Provavelmente odiou eu andar com “gente do seu tipo”. Pode perguntar para qualquer um, ao menos que ela também tenha sido esquecida. – Soprei a franja.
Ele voltou a andar, mas me acompanhando para o pátio.
– Repete aquela parte de que você estava sendo perseguida por alguém. – Ele pediu.
Fiquei feliz que era ele mesmo de novo. Na verdade, parecia preocupado comigo.
– Eu juro que vi alguém de olho em mim, depois… depois de falar com David.
– David? – Ele perguntou.
– Meu irmão.
– Tá, agora você também tem dois filhos e é casada com o Logan Lerman. O que mais eu não sei sobre você?
Eu dei uma risada.
– Desculpa, é que você nunca perguntou mesmo…
– Então, o que tem David?
– Ele está desaparecido faz um tempo. Eu acho que é da minha imaginação, porque sei lá. Ninguém conhece ele. Só eu. Mas eu tenho tanta certeza que ele é real…
Peter parou e quando já estávamos no meio do pátio, debaixo da árvore. Não entendi o que eu havia falado, mas ele pareceu arregalar os olhos. Depois, de súbito, me deu um abraço, forte. Fiquei ainda mais sem jeito, mas não fiz nada.
Logo ele se separou, e eu ergui uma sobrancelha em clara pergunta de o que ele estava fazendo?
– Esse David… deixou algo para você? – Ele perguntou, sem dar mais alguma resposta.
– Como sabe? – Falei, tirando aquele livro.
Ele assoviou baixinho ao vê-lo, depois me puxou pela mão para atrás da árvore.
– Você percebeu essa onda de mau-humor, em praticamente todo mundo?
– Quem não perceberia? – Questionei.
– Isso acontece toda vez que some alguém, não é?
Parei para pensar. Era verdade. Susana sumiu, e todo mundo mau-humorado. A mesma coisa quando David havia sumido, mas só agora que eu percebera.
– Sim… mas ainda não entendo.
– Eu também não entendia, até agora isso se tornar mais claro para mim.
Ele abriu uma página daquele livro empoeirado, bem ao meio dele, como se já soubesse aonde estava a informação que queria.
– Aqui. – Ele apontou para mim.
Aproximei os olhos para ler, colada ao lado dele.
Todos sabemos que os sonhos são apenas um estágio de nossa consciência. Existem diversas camadas da subconsciência, algumas repletas de lembranças, sejam atuais ou mais antigas, outras, aonde a mente pode ser estimulada por mensagens subliminares ou outros tipos de ilusões. Mas como chegar até elas? Algumas pessoas – nunca se soube os critérios de escolha, pode acontecer com qualquer um – possuem maiores aptidões para lidarem com sua mente. Podem bloquear seu subconsciente, resgatar lembranças perdidas, mudar seus sonhos, mas outras, diferentes, podem alterar conceitos de outras pessoas, apenas porque tem passagem livre para o mundo dos sonhos.
O parágrafo continuava, mas eu parei, rindo um pouco.
– Quem escreveu essa bobeira? E como isso explica o desaparecimento de David, de Susana? Ou aqueles olhos vermelhos estranhos, ou a mensagem no espelho? – Perguntei, mal percebendo que minha boca maldita havia soltado tudo. Para ele.
Incrivelmente, ele não pareceu tão surpreso com o que eu disse, talvez só um pouco.
– Eu achava que era só eu, Cassie. Estou tão feliz que encontrei alguém como eu.
– Do que está falando?
– Nós. Estamos sendo descritos nesse pequeno texto.
By: lembre-sedisso
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Web Novela Cast:
Daveigh Chase é Melanie Wright (acima) e Cassie Wright (centro).
Jake Abel é David Wright
Isabelle Fuhrman é Susana
Logan Lerman é Peter Willians

QUINTA PARTE
Respirei fundo. Ok, não podia ser nada. Devia ter sido apenas minha imaginação. De qualquer forma, grudei o celular em minha orelha para ouvir David melhor, talvez até de uma forma mais silenciosa.
– Perigo? – Repeti.
– Olha, Cassie, não posso ficar falando muito agora, mas sim. Logo eu te explico tudo, ok? – Ele pediu, e parecia respirar fundo ao telefone. – Tenho que ir, mas prometa que vá para casa agora, ok?
– Claro. Mas… Quando você vai ligar de novo? Eu também tenho o direito de ficar preocupada com você. – Rebati, andando um tanto mais rápido ao ouvir mais alguns barulhos.
Peguei uma pedra abaixo de mim que parecia um tanto pontuda, e deixei nas mãos por precação.
– Logo. – Foi o que ele apenas me disse.
Suspirei frustrada, mas antes que pudesse abrir a boca pra falar, ele previu esse movimento e acrescentou:
– Olha, amanhã vou deixar uma coisa pra você, no período de sua aula, ok? Tenho que ir. Beijos.
E ele desligou antes que eu pudesse responder alguma coisa.
Guardei o celular no bolso, ainda segurando a pedra, e caminhando mais rapidamente. Mesmo que minha casa ficasse mais perto, pareceu uma eternidade para chegar lá.
E eu posso jurar que vi, por apenas um segundo, um par de olhos vermelhos na escuridão.
***
Today I don’t feel like doing anything… I just wanna lay in my bed.
Quase dei um murro no meu celular quando o despertador começou a tocar, seis e meia da manhã.
Olha, a música até era legal, mas não dá, qualquer música que você ponha no despertador você começa a adquirir um ódio pessoal acima dela.
É como se toda vez que ela ouvisse ela dissesse: Olha, hora de sair de sua cama gostosa e se preparar para mais uma droga de aula!
Ontem eu acabara indo dormir relativamente tarde, pensando em David. Portanto, eu devia estar uma eca; nem quis me olhar no espelho. Apenas me arrumei rapidamente.
Desci correndo as escadas, pronta para encontrar minha madrasta , meu pai e Melanie reunidos para um café da manhã, mas minha irmã não estava lá.
– Tá com gripe, de cama. – Respondeu meu pai antes mesmo que eu abrisse a boca.
Agora, olhando melhor, notei que ele havia posto as calças ao contrário, seu cabelo ainda estava bagunçado, havia colocado a camisa por cima da jaqueta (wtf?) e estava com uma cara péssima.
Minha madrasta não estava não estava muito melhor. Vestia pares de pantufa trocadas (sim, isso é estranho para quem está sempre acostumado com sua família vestindo Gucci no café da manhã), estava pondo leite no seu ovo frito (eca) e sua cara também estava horrível.
– Nossa. Levantaram com o pé esquerdo hoje? – Perguntei.
Eles apenas me lançaram um olhar mau-humorado. Eu hein.
– Me passa a manteiga. – Ordenou meu pai.
– Por que você não levanta essa bunda daí e não pega? – Retrucou minha madrasta, incrivelmente mais mal humorada.
Isso só fez meu pai fechar ainda mais a cara.
– Porque não estou afim.
– Você não faz nada. Sai de férias e depois fica querendo que os outros façam tudo pra você! – Rebateu ela, quase gritando e derrubando o prato que segurava, com o ovo frito enleitado.
– Você acabou de derrubar meu ovo.
– Por que você mesmo não levanta e vem fazer?!
E eles continuaram assim. Decidi que não queria ficar ali no meio, portanto peguei meu pão e um suco e sai andando para minha escola.
Mas não adiantou nada, porque assim que cheguei, descobri que a escola inteira estava com esse mesmo mau-humor.
***
Primeira aula; álgebra.
Perfeito. Bufei.
Aliás, mesmo um tanto irritada como eu estava, eu parecia ser a pessoa mais bem-humorada ali. A sala inteira estava com a cara fechada, alguns dormindo, outros xingando por qualquer motivo, assim como meus pais.
Parece que não havia sido uma noite nada boa pra ninguém.
Após varias réguadas na mesa, a professora conseguiu chamar a atenção de todo mundo. Com um resmungo, todos olharam para ela.
– A partir de hoje, alguns alunos da faculdade estarão conosco assistindo algumas aulas. É um projeto deles, portanto, dêem as boas vindas ao garoto que passara um tempo aqui. – Ela falou, seu mau-humor pedindo para que acabasse logo de uma vez.
E ela abriu a porta, apenas para sair ali nada menos que Peter.
Fiquei de boca aberta. Sério, eu havia esquecido que ele estava na faculdade. Ele até havia comentado desse projeto no dia do Parque…
Havia dois lugares sobrando na sala: logo na minha frente, onde costuma sentar Suze, mas parece que ela havia faltado hoje; e um no meio de quatro amigas da Mel, aonde ela mesma sentava.
Dei um sorriso para ele, esperando que ele sentasse na minha frente, mas ele fingiu não me ver e foi direto para o meio das quatro.
– Licença, mas esse lugar é ocupado. – Sibilou uma delas.
– Ah, desculpe, não vi o nome na carteira. – Respondeu ele. Sinceramente, não me pareceu que ele havia sido pego por essa onda de mau-humor, porque havia muito mais ironia na sua fala.
– Professora, exijo que retire ele daqui. – Ela ordenou.
– Qual é, é quando ela voltar eu saio daqui. – Ele comentou.
– Porque você não senta na frente da Cassandra? Ninguém senta ali! – Resmungou ela de novo.
O quê? Susana senta bem na minha fren….
– CALEM A BOCA VOCÊS TODOS. – A professora interrompeu meus pensamentos – ELE VAI FICAR AONDE QUER E PODEM ABRIR A PÁGINA 394¹ E FAZER OS 13 EXERCÍCIOS. 5 PONTOS.
E assim foi a minha aula até o intervalo. Certo, eu mereço.
***
Assim que consegui sair daquela sala, corri para meu armário. Não sei por quê, mas sabia que encontraria algo lá. E estava certa: assim que o abri, um livro ressaltou-se sobre os demais. Mistério dos sonhos. Dei uma rápida folheada, perguntando-me porque motivo ele estaria ali. Um bilhete caiu de dentro das páginas, com apenas duas palavras escritas: De David.
Franzi o cenho mas guardei o livro na minha bolsa, pensando em ler mais tarde. O que diabos ele queria dizer com isso?
Foi quando notei um papel amassado mais ao fundo. Peguei-o, abrindo-o com cuidado para que o papel desfavorecido não rasgasse. Abri a boca ao ver que havia um desenho lindo, de alguém que só podia ser eu.
Ok, eu sabia que só Peter poderia ter feito aquele desenho. Eu conhecia seu estilo. Mas… sinceramente, eu estava linda! Aquilo me deixou sem fôlego, e dei um sorriso. Talvez se eu encontrasse, poderia agradecer.
Então, me lembrei de outra coisa que queria fazer. Perguntar se alguém sabia por que Suze havia faltado. Ora, havíamos combinados de terminar aquele trabalho hoje, sem falta. Ela não poderia ter me deixado assim.
A irmã mais velha de Suze, Beatriz, estava passando bem ao meu lado, para minha sorte. Corri até seu lado.
– Bia… sabe da Suze? Estava combinando de ficar com ela na escola hoje…
– Suze? Que Suze? – Ela perguntou.
– Dãr, sua irmã.
– Cassie… – Ela pôs a mão no meu ombro. Dava pra ver que estava mau-humorada como todos, mas parecia estar tentando se controlar. Ela era até legal. – Eu não tenho irmã.
By: Lembre-sedisso
NÃO RETIREM OS CRÉDITOS.
Gente, se gostarem, deem like! Quero saber quantos leem e gostam :D
Nota 1 ~ Homenagem à Severo Snape.

QUARTA PARTE
A noite de ontem foi realmente maravilhosa.
Posso dizer que eu não tinha muita questão de ir ao Parque de Primavera, mas Peter acabou me convencendo como lá poderia ser até legal. Como eu o conhecera com aquela personalidade fechada, ele acabou me surpreendendo. Ele parecia… diferente.
Diferente de que alguns de vocês podem estar pensando, não aconteceu nada entre nós. Desculpe desapontá-los (se por acaso ficaram), mas eu tenho certeza que ele parece me ver como uma amiga. Além do mais, não estou com cabeça para qualquer tipo de relacionamento por enquanto.
Quando voltei para casa, acabou dando tudo certo. Todos pareceram pensar que eu havia ficado terminando o trabalho, o qual eu preciso urgentemente fazer. Subi pela árvore, naturalmente, e foi ao banheiro, aonde me olhei no espelho.
Ele ainda me deu um certo calafrio ao ver, logo depois daquela mensagem estranha. Por esse e outros motivos é que eu não tinha cabeça para fazer o maldito trabalho. Toda hora eu lembrava daquela mensagem estranha. Eu pensava ter sido minha imaginação cansada, mas era provável ser minha irmã, tentando complicar minha vida. Era o que eu tinha acabado concluindo daquilo, mas eu ainda tinha uma sensação estranha sobre tudo aquilo.
Por fim, era sexta-feira (finalmente), e eu estava voltando para casa. Sozinha, pois havia ficado uma hora a mais para um trabalho em grupo. Melanie provavelmente já estava em casa.
Ultimamente minha maior companhia era meu gato de estimação, Dewey (1), que certamente estaria esperando-a no quarto, assim que eu voltasse. Acho que aprendi com ele essa técnica da árvore. Durante vários anos, eu aprendi a ser ágil e deslocar-se silenciosamente, quase como o meu pequeno Dewey. É, eu admirava os felinos. Quando não estava lendo ou ouvindo música, desenhava-o ou até mesmo outros animais. Sua habilidade, destreza, traços delicados, tudo.
Por fim, deu a volta na quadra em que estava, localizando algumas quadras ainda de distância da mansão que vivia. Estranhamente, a rua parecia silenciosa naquela noite. Até as estrelas estava um tanto mais… escurecidas.
Foi quando eu ouvi um som um tanto estranho.
Olhei para os lados, silêncio total. Havia apenas eu naquela rua, e a lua, brilhante e cheia acima de mim.
Balancei a cabeça, rindo da minha própria imaginação. O próximo barulho que ouvi foi apenas meu celular tocando.
– Cassie falando. – Atendi, mas em um sussurro. Estranhamente, parecia haver alguém ouvindo minha conversa. Continuei andando sorrateiramente.
– Cassie. Sou eu.
Eu reconheci aquela voz imediatamente.
– David?!?! – Repeti, preocupada, surpresa. – Aonde você se meteu? Sério, parece que ninguém nota seu sumiço, está tudo tão estranho! Aonde você está?
– Calma, calma, Cass. – Ele falou, tranqüilizador. Eu soltei um ar preso. – Está tudo bem comigo. Eu só não posso falar nada agora, nem voltar ainda para casa.
– Por quê? – Perguntei, agora ficando irritada. Eu fiquei o tempo todo preocupada com ele, só para ele me dizer que não podia mais voltar?
– Esqueça isso. – Ele me mandou. – O que importa agora é que você pode estar em perigo.
Foi quando eu tive certeza que eu havia ouvido algo realmente estranho alguns minutos atrás.
***
(Melanie)
Eu me aproximei daquela cafeteria que minha irmã sempre cismava em visitar.
Mal ela sabia que eu a seguia toda vez que saía de casa. Ou que eu tinha uma chave reserva do seu quarto, abria seu pequeno diário e lia tudo sobre o garoto Peter, além de tudo, seu telefone.
Fora fácil marcar um encontro com ele. Seria mesmo lugar em que ela o viu pela primeira vez. Peter mal notou a diferença; eu e minha irmã tínhamos praticamente a mesma voz. Acho que ela acabara não contando sobre mim.
O que era melhor, afinal, deixaria muito mais fácil a minha ideia de mudar os conceitos da minha irmã. Qual é, percebeu com quem ela estava conversando? O garoto nem tinha pais (agradeça por fontes da escola. Posso saber de qualquer coisa sobre quem eu quiser), fumava, escrevia pornografia e ainda ilustrava. Cassandra ainda vai me agradecer por eu afastar essas más influências da família.
Escolhi um local bem perto da entrada mesmo, não iria demorar. O garoto não demorou a aparecer. Tenho que admitir, minha irmã pelo menos tinha bom gosto. Ele não era de se jogar fora, tanto é que não tirei o olho de sua bunda. Tragava seu cigarro, carregando um pequeno caderno, mas pareceu sorrir ao me ver.
Internamente, eu estava morrendo de rir. O garoto mal vira a diferença.
– Cassie, como vai?
Não respondi; apenas assenti. Pedi o costumeiro café de minha irmã, que chegou rapidamente a nossa mesa servido por uma das garçonetes. Ao dar um gole, percebi que era simplesmente horrível. Talvez eu desse um jeito de fechar esse lugar quando eu terminasse o que tinha para fazer por aqui.
– Eu esqueci de te mostrar uma coisa. – Ele falou, abrindo o caderno. Dali tirou um pequeno papel, aonde estava desenhada perfeitamente minha irmã. Arqueei as sobrancelhas. – Você disse que gostou dos meus desenhos, não é? Fiz esse naquele primeiro dia, logo depois que você foi embora.
Eu mal encostei no desenho, mostrando uma expressão totalmente desinteressada. Por fim, falei, com a voz mais natural possível.
– Desculpe garoto, mas eu acho que nunca te vi em minha vida.
Ele franziu a testa, então pareceu dar uma risada.
– Ótima brincadeira.
– Não. É verdade. Sou de uma classe alta, e não me relaciono com esse tipo de ralé como você. – Conclui, sorrindo sarcástica.
Aquilo pareceu a gota d’água para ele. Eu sorri satisfeita, ao ver ele se levantando repentinamente da cadeira e amassando o desenho, para por fim jogar no lixo. Antes de sair, ele voltou na mesa e sussurrou.
–Ótimo que tenha dito isso. Assim não precisarei mais lidar com a sua falsidade.
Em nenhum momento eu deixei de sorrir. Havia sido fácil, fácil.
By (lembre-sedisso)
Por favor, comentem!
Não retirem os créditos.
Nota 1 ~ homenagem à Dewey Readmore Books

Terceira Parte
Acenei para Susana, minha melhor amiga no meu colégio do ensino médio (último ano, finalmente), enquanto caminhava ao encontro da minha irmã.
– Bem, até amanhã! – Suze gritou.
Apesar de irmãs gêmeas, temos uma diferença na aparência: Melanie cisma em deixar seu cabelo lá na bunda. Ultimamente, devido a algumas ordens de nossa nova mãe, ela acabou cortando, deixando apenas um pouco maior que o meu. O resto é tudo igual, menos na personalidade.
Mel é a pessoa mais popular da região. Se você anda com ela, considere-se privilegiado. Essa, certamente, não é a minha opinião. Preferia muito mais ser um caso como o da história de Kim Edwards, de irmãos gêmeos separados no nascimento, do que viver com ela.
Ela quer sempre ser certinha, pelo menos na frente da nossa família. Na escola, apesar disso, desmente toda sua personalidade. Pelo menos, é o que posso ver. Já eu nem me esforço para ser outro alguém. Sou quem sou seja em casa ou no colégio.
E por esses e outros motivos, sou apenas mais uma pelo colégio, assim como acho que muitas de vocês devem ser. Mas não me queixo de nada. Até prefiro assim, porque me separo de Mel e de suas companhias durante o período inteiro. É apenas na aula de literatura e física que preciso encontrá-la.
E é claro, na saída.
– Cassie, falo isso como irmã, mas você precisa sinceramente melhorar as pessoas com quem anda. – Comentou ela no meio do caminho de casa.
– E porque motivos eu faria isso?
– Pense. Susana, aquela garota estranha, já a vi fumando. Além disso, já viu com quantos caras ela já ficou?
– Quem se importa? Ela é gente fina, diferente de vários que andam com você.
– Ah vá, Cassie, vai me dizer que você não gostaria de estar no meu lugar, com todos os meninos em volta de mim?
Revirei os olhos.
– Falando em meninos – Ela continuou. – Acho que você não está sendo muito cuidadosa na hora que sai de casa para encontrá-los.
Arregalei os olhos. Como ela sabia que eu tinha saído? Gaguejei alguma palavra irreconhecível.
– Me poupe. Você fez o maior barulho para entrar de volta pela aquela árvore. E acho que sabe que meu quarto também está na frente dela.
– Tudo bem. Eu saio a hora que eu quero, Melanie. – rebati. – E não fui encontrar ninguém, apenas fui em uma lanchonete qualquer.
Ela me olhou com uma cara de quem sabia algo além daquilo.
Essa foi as palavras que troquei com a minha irmã até chegar em casa, aonde fomos recebidas pelo porteiro e atravessamos o longo jardim até a porta. Antes que eu a abrisse, porém, Mel colocou o braço na minha frente.
– Bem, espero que você não tente mais nada de diferente, porque quem está com vantagem aqui sou eu. Acho que Kath não vai gostar muito de saber que você continua desobedecendo ela.
E saiu na minha frente.
Respirei fundo ao entrar no banheiro, batendo a porta com um estrondo que qualquer mãe diria “você vai acabar derrubando essa casa!”
Isso é, se minha mãe estivesse aqui agora.
Não precisa ficar preocupado, ela não morreu. Apenas está de férias. Está com a cabeça muito bagunçada devido ao divórcio e ao aborto recente. Por esse motivo que agora divido minha casa apenas com a minha madastra, Melanie – minha irmã gêmea-, e todos aqueles animais que minha irmã chama de meios-irmãos.
Não, aquilo não pode ser gente.
Estou pensando cada vez mais que os humanos realmente vieram dos macacos.
Enfim, não que eu acho minha madastra, Katherine, chata ou qualquer coisa assim. Não. Apenas que ela mima muito minha irmã. Sério, isso enche o saco.
Mas o mais estranho é que elas não parecem notar o desaparecimento do meu irmão mais velho, David, que já faz… cinco dias.
Levantei os olhos da pia e retirei toda a maquiagem que sou obrigada a usar para comparecer àqueles jantares. Pois é. Muitos pensam que ser rica é algo bom, mas não acho. É completamente um saco, e sinceramente, cheio de restrições idiotas. Somos ricos porque meu pai é dono de uma grande empresa de videogames – sim, isso mesmo – e minha mãe uma autora premiada de livros de auto-ajuda. Minha madastra? Bem… digamos que o amor é cego.
A única coisa boa do meu dia foi que meu pai voltou da viajem. Finalmente quero falar com ele sobre David, mas até agora não consegui um momento a sós.
David é muito melhor que Mel, sinceramente. Acho que ela sente um pouco de ciúmes porque ele passava muito mais tempo comigo do que com ela. Correção, sentia ciúmes, porque para todos aqui parece que ele nunca existiu.
Diferente de Mel e eu, ele puxou nossa mãe, loira, e saiu algo lindo. Cabelos loiros, um olhar claro e uma pele levemente bronzeada. Bem, não era de imaginar que qualquer garota daria de tudo para ser tão próxima como eu era dele.
Por fim, voltei ao meu quarto. Eu tinha que começar um projeto de ciências que, pelos meus cálculos, eu havia apenas uma semana para fazer. Pelo menos teria algo para deixar na cabeça, abafando todos meus problemas com a família.
Eu estava prestes a ligar meu computador quando ouvi um baque na janela.
Fui até ela, abri, dando para a sacada. Logo ao lado ficava a imensa árvore e o muro. E logo depois do muro, estava Peter.
– O que está fazendo aqui? – Murmurei, um pouco preocupada com a possibilidade de alguém vê-lo.
– Aquele parque de diversões -a festa de outono da cidade - vai começar em uma hora. – Ele se limitou a apenas falar isso, com um sorriso maroto.
- Como sabia que eu morava aqui?
- Nunca subestime as minhas habilidades.
Olhei para o lado, como se pudesse ver minha irmã ali perto. Como não estava, respirei fundo.
– Tá. Pode ser, desde que não voltemos tarde.
Me virei para apenas pegar uma jaqueta para mais tarde e tranquei a porta do meu quarto. Todos sabíamos que eu estava atrasada com esse projeto (Melanie já havia acabado há um mês) e supostamente eu estaria ali fazendo, não querendo que algum ser desmiolado me atrapalhasse.
Bem, não havia problemas, certo?
Eu havia deixado minha jaqueta no banheiro, portanto corri lá para pegá-la. Encontrei-a na pia, mas não foi para ela que olhei quando cheguei ali. Escrito em tinta vermelha, havia quatro palavras escritas no espelho.
Você é a próxima.
By: lembre-sedisso
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Se gostarem, comentem *-*

SEGUNDA PARTE.
O cheiro adocicado de café envolve-me ao passar próximo àquela pequena cafeteria. Ainda era de noite, talvez as primeiras horas da manhã.
Era bem próximo do Parque Barigui, portanto, não tive que andar muito até chegar a ela. Eu simplesmente adoro esse Parque. Não posso mentir, essa parte de Curitiba é realmente linda. Tenho orgulho de morar aqui.
A placa chama-me atenção logo depois: Lucca Café, escrita em letras cursivas bem acima do local. O pequeno estabelecimento mantinha um ar rústico: uma casa de madeira aconchegante, não daquelas velhas, mas aquelas que parecem um chalé na montanha. Parece ser aberto vinte quatro horas, e não há muita gente presente, felizmente.
Faz certo tempo em que meu paladar não prova um bom café, portanto, não resisto a tentação e entro. Eu sempre tomei bastante café, meio que uma tradição da família. Fui me acostumando e, com o passar do tempo, já era uma de minhas bebidas favoritas. Apenas não tomava em demasiado devido aos efeitos colaterais.
Dentro, o local é iluminado por luzes pálidas e em tons alaranjados, trazendo ainda mais sensação de aconchego. Em volta, é decorado com diversos quadros, todos parecendo ser feitos pela mesma pessoa, pois mantinha um estilo um tanto Picasso. Devo admitir, eram bonitos. Havia apenas um garçom mexendo em na caixa registradora ao lado de vários balcões, exibindo salgados e diversos doces, todos decorados.
Vou ao homem e peço dali mesmo um café simples. O atendente confirma com a cabeça, e eu vou procurar algum local para sentar-me. Um garoto fumando chama minha atenção, mas não por este fato. Ele parece estar concentrado em algo, pelo que vi ao me aproximar, um desenho.
Além disso, ele é praticamente a única pessoa ali dentro, apenas por mais um senhor de idade e um outro homem, um tanto estranho, sentado ao fundo. E oras, pra que me sentar sozinha?
– É lindo. – Comentei, ao ver o desenho melhor. – Posso me sentar? –Pergunto a ele, para depois me sentar na cadeira não ocupada e observar enquanto desenhava por um tempo.
Ok, pensando melhor, eu sei que pode ser meio estranho chegar na madrugada e sentar perto de um garoto que, digamos, parecia ser uns dois anos mais velho que eu, portanto, dezenove anos. Ele possuía cabelos castanhos escuros e uma pele clara, pelo que conseguia ver.
Os olhos dele passaram por mim e eu percebi serem surpreendentemente azuis. Ele fez que sim com a cabeça, parecendo que agradecia ao meu comentário e, ao mesmo tempo, me deixava sentar. Então, tomou um gole de seu cappuccino.
Percebo que o garoto não é muito de falar. Dou de ombros. Uma garçonete de cabelos claros surge, entregando um cappuccino para o garoto e o meu café. Bebercoi alguns goles; era realmente bom. Meu gosto já está ficando refinado.
– Cassie Wright. – Começo, com um leve sorriso. – E você?
Ele continua a desenhar, concentrado. Em algumas vezes soltava um pouco da fumaça de seu cigarro, alternando para dar uma pausa, se ajeitar e voltar ao desenho.
– Vou saber seu nome, pelo menos? – Pergunto, já um tanto irritada por tamanha ignorância.
Ele retira o cigarro e solta mais um pouco de fumaça, descansando o lápis em cima da mesa. Bufa. Ô garoto mal humorado. A fumaça veio em minha direção, e tive que tampar a respiração e fechar os olhos diante de todo aquele químico horrível. Não havia aquela lei proibindo fumar em lugares fechados? Cadê o garçom em uma hora dessas para expulsar esse maldito cigarro?
– Peter. Willians. – Ele responda subitamente, interrompendo minhas reclamações mentais.
Toma um gole do seu cappuccino com indiferença, porém, em um descuido, a ponta do cigarro bate embaixo de seu olho, fazendo com que ele faça uma careta de dor e retornasse o copo a mesa. Por fim, olha para o cigarro com desdém e depois para o desenho. Uma gota de cappuccino caíra na folha.
– Droga! – Bufa novamente.
– Ai. – Murmuro, ao ver o que ocorrera. – Está tudo bem?
– Você acha que está tudo bem? – Ele rebate, ainda frio.
O que leva a uma pessoa ser assim?
Levanto a mão, levando em direção sua face, logo abaixo do machucado. Ele resmunga, em um óbvio ato pedindo que me afastasse. Obedeço, mas continuo olhando.
Peter parece simplesmente ignorar o machucado. Entretanto, seu desenho estava borrado agora. Tento parecer simpática.
– Sério, você desenha bem. – Elogio. Apesar da mancha, o desenho continuava bonito – É alguém ou apenas fruto de sua imaginação?
Peter nota minha preocupação. Ótimo. Revirei os olhos, apesar de um sorriso ter surgido em seu rosto. Devo ter aumentado seu ego agora. Ele aponta para uma menina sentada no muro, do outro lado da rua. Nem havia notado-a, e vai saber o que ela estaria fazendo ali. Notando melhor, ela segurava um bebê.
– É ela. A do desenho. Achei uma imagem bonita. Não pela aparência dela, ou pela criança no colo ser “fofa”. Pela união que um tem com o outro, a segurança que ela passa para ele, e como obviamente, ela poderia dar tudo para que ele continuasse desse jeito. – ele a olha sorrindo. – Seguro.
Levanto a sobrancelha pensando em como a personalidade dele mudou. Meus olhos passeiam dentre o desenho e a verdadeira imagem. A semelhança era incrível; o desenho ainda continha uma perfeição além do real. Cada detalhe, até então, estava sendo bem observado e reproduzido. Tenho que admitir que fiquei bastante admirada, logo eu que nunca me interessara em arte. O jeito que ele explicara a relação entre os dois corpos também me impressionou. Ele era bom com as palavras. Bem, quando queria.
– É um ótimo talento. – Comento, então olho para ele, seus olhos claros. – Já pensou em levar isso adiante? Profissionalmente? Ou prefere outras coisas?
Assim que perguntei, noto como cada vez mais sabia de seus hobbies e o jeito que ele transpassava a ser. Ele não perguntara nada até então de mim, e eu não falaria nada ao menos se ele tomasse essa atitude.
Ele respira fundo olhando para o desenho. Dá de ombros, pegando sua mochila, abrindo e revirando as coisas. Pega uma pasta com uma quantidade enorme de folhas, desenhos e fotos. Dá então em minhas mãos, e eu começo a folhear.
– Na verdade, eu me concentro mais nisso. Comecei com treze, há seis anos. Se considere com sorte de ver. Ninguém sabe que escrevo isso.
Meus olhos se surpreenderam ao ver as cenas desenhadas. Ok, não eram das mais próprias a crianças, mas realmente, os desenhos continuavam realistas e belos.
– Os desenhos representam as cenas. As fotos os cenários. E sim, é bem forte.
– Não, é ótima. – Dou um sorriso. – Além de desenhar, escreve bem.
Então ele se aproxima um pouco para ver onde eu estava lendo e vendo e pergunta:
– E você. Faz alguma coisa?
– Alguma coisa que faço… – Balanço de ombros, entregando-lhe a pasta – Além de eu ser uma leitora compulsiva? Acho que percebeu pelo meu interesse em sua história.
Ele assente, com um leve sorriso, o que me encoraja a continuar a falando.
Penso mais um pouco. Por causa da minha família eu era obrigada a fazer aulas de equitação. Não que eu não gostasse, mas não era minha coisa preferida.
– Para falar a verdade, gosto de patinar no gelo. – Falo – Eu sei, é meio diferente, mas… sempre gostei. Além disso, estamos no Brasil. Eu sei que é difícil ver isso, mas geralmente tem em shoppings, sabe. – Comento. E é claro, mantínhamos uma mini-pista de patinação na nossa casa. Não que eu precisasse comentar isso. – Inverno é minha época preferida do ano.
Olho para fora. Uma pequena geada tinha começado. Vocês podem não entender, mas Curitiba no inverno e na madrugada é assim mesmo.
– Não gosto de patinar. – Ele comenta. Arqueio as sobrancelhas. – Longa história. E bem trágica, na verdade. – Pelo tom que ele falara, não parecia realmente trágico, mas sim uma pequena brincadeira dele. De qualquer forma, ele não toca no assunto. – E pode ler a história, qualquer dia. Mas, não sei se poderia agora. E também não lhe emprestaria para levar em casa e ler. – Olhou-me com um olhar malicioso – Não te conheço, e poderia muito bem copiar a história. Uma história de seis anos.
Solto uma pequena risada ao ouvir seu comentário. Antes de falar, termino com o café.
– Posso ser uma leitora compulsiva, mas não chegaria a fazer isso por um livro e fama. Mas eu entendo seu receio. É normal.
Coloco minha jaqueta, que até então estivera pendurada na cintura. Olho para o relógio em minha mão. Duas horas da manhã. Tinha que ir logo, correndo.
– Bom, eu tenho que ir já. – Explico – Até outro dia, Peter. – Aceno, e vejo ele assentir enquanto saio.
***
(Peter)
O garoto despede-se e a observa saindo dali. Acompanha-a com os olhos até que saísse do seu campo de visão. Então sorri, vira a folha no caderno de desenhos, pega seu lápis e começa a desenhar.
Não tira os olhos do desenho para fazer nada, apenas às vezes parava para dar um gole no cappuccino e voltar a desenhar, e o fazia com uma estranha rapidez e inspiração. Depois de um bom tempo, sorri satisfeito.
Lá estava o rosto de uma garota, com cabelos castanhos com um leve tom ruivos, pele branca, tomando sua xícara de café com calma se deliciando com a bebida. Então escreve embaixo: Cassie Wright. Olha no relógio, já tinha duas horas que ele estava fazendo aquele desenho. Quatro da manhã. Nem percebera. Guarda o caderno e pega sua mochila. Vai até o balcão pagar pela bebida e então saí para andar pela cidade.
By: lembre-sedisso
Não retirem os créditos